É. Os dias se reduziram ao pó que agora impregna meu sapato: 2009 está chegando ao fim, e eu também. Não, não pretendo continuar escrevendo aqui pra que apenas meus alter-egos leiam, não sei se posso me dar ao direito de ainda brincar com a imaturidade. O fato é que não sei até onde posso ir ou até onde o destino me levou. Acho que não quero mais viver sob certas perspectivas, ainda que me doa ter que abrir mão de algumas partes de quem subjetivamente disseram que eu sou. E eu não sou. Não estou aqui e meu desejo também não está lá. Acontece que anda chovendo muito. E eu tenho medo.
Tenho medo de que quando a chuva passar, seja perceptível o fato de essa angústia ainda estar molhando meu cabelo, trovejando minhas emoções, inundando minha alma. Li sobre os ratos e as doenças que vem com inundações, e me auto-diagnostiquei: talvez seja por isso tenham sido tão fétidas as palavras que tem saltado a minha boca, ou embaraçadas e confusas a ponto de me fazerem querer rancar minha própria cabeça. Se eu tivesse tendências suicidas me preocuparia. Mas não.
Esse é o pior momento, a covardia. E eu sou um eterno covarde. Não teria coragem de lançar minha vida pela janela de um edifício, seria prova concreta da minha imbecilidade humana. Tenho medo de perder o que a vida miseravelmente diz me entregar. Tenho medo de justamente, não poder chegar ao fim de mais um ano e não saber se as coisas mudariam. E por isso tenho coragem. Mas viver não é coragem, coragem é saber o que se vive. E descobri que viver também é maldição. Ter esperança, é mais ainda.
Esperança é a certeza de que não vai sangrar tanto quando chegar o momento da fé andar sob cacos de vidro. E quando se sangra se sente dor. E se machucar faz parte da vida, como poder sentir a Graça quando vc já sangrou tanto que agora não há mais fé em parte alguma de sua vida? Como estancar ferimentos infeccionados com pedaços de braços e pernas amputados de outros que nem chegaram a conhecer a esperança?
Perguntas, respostas. Cascalhos, caminhos, escolhas. Eu não sou covarde, mas soldados choram. Ainda que ninguém veja. Guerreiros vão até o fim, e a música continua. Parece que a chuva também.
(citação de Paixão Segundo G.H, Clarice Lispector)
Voce caminhando entre as ruas da cidade Eu, parado em alguma esquina, perto de lugar nenhum Enquanto voce procura a vida dentro de bares E eu, erro a rima, perco o controle, nego o rum. Voce querendo se isolar, esquecer as palavras, matar o real E eu, tentando te encontrar, atrás de paráfrases, preso à cabine telefonica Voce, chorando ao sonhar, lágrimas de sangue, solidão no desconsolo E eu, te ouvindo gritar, chorando por dentro, mas não sou super homem... Voce pensando em se matar, querendo um abraço, fugindo do mundo E eu, sem ninguém pra abraçar, tentando viver, eu nunca conheci o mundo. Enquanto voce meio que de repente olha pra mim, e cai em meus braços E eu, mesmo que não tenha te visto, sorriso mateiro, um beijo te lasco E nós, mesmo que nos desencontremos, olhamos para o céu, recíprocramente vivemos... Renasce o amor. E entendemos o que é pra sempre.
Eu acredito em Deus, mas também sei do Destino. Quem controla o Destino? Não sei. Só cabe a mim viver a ponto de não deixar minha essencia se perder em algum instante, soterrar-se em algum segundo. Morrer é vida: viver é deixar-se morrer, da melhor forma. Mas o tempo as vezes nos enche de temor; não entendo quando ele existe ou de que forma me fará envelhecer. E só o que tenho é isso, incertezas.
Feliz dia dos professores. E eu, um professor, preciso urgentemente de um dia que não seja esse meu dia. Cansei disso. Acordar e dizer que vou viver melhor essa vida é egoísmo demais. Viver é muito mais que isso que eu finjo saber estar fazendo, muito mais além das tentativas de transcender minha inútil condição humana: até a hipocrisia tem limites. Viver vai além do querer-poder, não se limita ao mundinho construído com os tijolos recolhidos durante o stand-by da ideologia cristã sobre o pecado. Odeio isso. Hoje deveria ser um dia feliz. Ontem deveria também. Mas acontece que não foi, não é, e talvez, não será. Então é isso.
Parabéns a todos que como eu, se passam por psicólogos, pedagogos, enfermeiros, terapeutas, e até mesmo pais;que mesmo diante de uma valorização financeira tão baixa, não se deixam abater, e, se por um dia acordam frustrados, tem nos sorrisos e crescimento daqueles que os ouvem um tesouro inigualável. Parabéns aos professores que sabem que viver é muito mais do que isso, que há muito mais significado num silencio do que nas palavras que servem apenas pra preencher o vazio... Obrigado aos meus professores do passado, passado tão gnômico, pessoas que influiram diretamente ou indiretamente em que eu sou hoje, dos quais ouso citar alguns: tia Pollyane, Luciléia, Roni, Marina, Luiza, Flavia, Denise, Lúcia, Deisy, Luiz Maurício, Maria Sueli, Elza. Parabéns Professores! ^^
Às vezes acho que sonhar é pra idiotas. Por que é sempre mais fácil alcançar quando se está perto, correr quando se é mais veloz ou ganhar um concurso de beleza quando se é o mais bonito. Talvez seja necessário um tombo maior que o outro para que amadureçamos em conformidade com as experiências; sorte é pra poucos, a desgraça, pra qualquer um. A vitória pertence a Deus e a conquista a ninguém. Enquanto se sonha se vive. Se respira até que o organismo pare de converter o oxigênio e, por um vacilo, por um instante, o real já não seja indolor, a prisão seja confortável e Deus não seja mais uma loucura. Não se trata de destino, mas de um labirinto de remorsos, confidências e contradições.
O mundo dá voltas. Depois da excelente atuação em Baby o porquinho atrapalhado, o porquinho agora bem que podia fazer uma ponta em Gosth ou Boneco Assassino. Seria uma combinação perfeita: enquanto o boneco fode a boneca de plástico esquisita (ah sim, isso não foi um palavrão... pergunte a Pitty), o porquinho pode se encarregar de fazer o terrorismo com seus espirros repletos de HN.
Ah sim, essa é uma teoria minha, H1N1 não veio de qualquer lugar, sabia? Se vc cortar as letras, restará o número 11, que pode muito bem ser uma apologia vagabunda aos atentados do dia onze de setembro (putz, hoje é esse dia.. /medo Oo'), ou apenas um aviso de que esse é o novo atentado (1+1 = 2, ou seja, esse é o segundo atentado). Enfim, o atentado de aviso que acontece após a solene data do dia 7 de setembro, alguém pode me lembrar que dia é esse mesmo? Ahh... sim, sim a independência. Como é bom ter orgulho do cara que provavelmente assumiu que era gay, logo depois de pegar em uma espada diferente que não a sua, e ter sentido alguma emoção interior, digamos de passagem, emoção copeliana (bando de a toas, assistam a Toma-lá-da-cá) e resolveu dar um grito mágico a beira de uma praia de nudismo. Será que só eu percebi que a independencia é comemorada depois do dia do sexo?
Tenha dó, cada um pense o que quiser. Vou assistir sessão da tarde. Hoje, 11 de setembro talvez reprisem o filme do porquinho (in memorian).
Hoje amanheceu um tempo diferente, um friozinho bom. Pra mim, esse é o melhor tempo. Não há nada melhor que um vento frio batendo no meu rosto, balançando meu cabelo. Aquela sensação de segurança, e aquele cheiro de lugar certo. O abraço fica mais gostoso, e até mesmo a disposição muda, me faz pensar..
Há tempos as pessoas estão desesperadas em pensar sobre sí mesmas; "quem eu sou? pra onde vou?". Maldita hora em que Sartre poluiu o mundo com essas questões existencialistas, e que hoje, deixam em crise qualquer um. Hoje, eu vou inventar algo novo, uma nova crise: A crise do encontramento.
É, de repente, eu me encontrei. Que se dane o desgosto alheio, estamos em constante mudança. Não importa se o tempo tem sido curto, o que me resta é deitar a cabeça no travesseiro a noite e pensar comigo mesmo: hoje valeu a pena. Não estou me entregando a um discurso loser, tipo "deixa a vida me levar", estou simplesmente feliz, tentando entender em que dia eu acordei e tudo fez sentido. E ao mesmo tempo deixou de fazer. Nem sei.
É engraçado ver que as minhas estruturas se firmaram. Que o jeito de pensar mudou, que a a confiança se juntou a coragem. Que os sonhos nunca foram tão reais, e que a vida nunca foi tão clara ao mostrar que existem portas, mas que nem todas estão abertas. Que há uma batalha a ser vencida todos os dias, mas que isso é apenas um pedaço da guerra. Que existe uma chave que no final revelará tudo, mas ela não está em qualquer lugar. Está acorrentada ao meu coração. E minha essencia é a esperança..
Mais do que nunca, eu sei quem sou; só me resta saber se o caminho termina como eu imaginei. Enquanto espero pra ver, vivo a vida, e fico aqui hoje curtindo esse frio. Talvez faça sol amanhã. E agradeço a DEUS.
É engraçado ligar a Tv e dar de cara com os mesmos programas de quando eu era pequeno. Hoje, num não raro súbito ato de preguiça, resolvi gastar meia hora do meu dia vendo o "Esquadrão da Moda" que passa em um canal aí famoso pelas negociações de camelô e vendas de artistas ou apresentadores que rendem ibope.
É. Até que a gente fica empolgado. De repente chega uma mulher com experiencias em roupas e em lições práticas de como vomitar diariamente depois de comprar o kit "disfarce a bolemia" e um quase-homem com raros momentos de homem (não, não estou sendo preconceituoso; homens sabem se vestir bem. Quase-homens discutem sobre o ato de se vestir). Em uma semana se oferecem pra criticar o modo e as roupas que vc gosta de vestir, enquanto a pessoa sortuda - diga-se de passagem - ouve tudo alegremente, feliz, agradecendo firmemente por terem te humilhado em frente as cameras, ops... por terem aberto seus olhos.
Engraçado. Deveriam inventar um milhão de outros esquadrões; esquadrão do saco cheio, esquadrão dos folgados, esquadrão da verdade.
É. Porque quando tem câmera perto, se trata de uma critica construtiva. Agora, se eu chego e critico o modo de vida do outro, isso não passa de ignorância. Chama alguém de obeso na vida real pra vc ver!, se não te tacam uma pedra. Diga que a pessoa precisa deixar a prepotência de lado! Fale praquela velha chata do onibus que ela fede! Avise aos irmãos da igreja que visitar sua casa todos os dias com o mesmo assunto chato é podre!
Te taxam de orgulhoso, anti-social, invejoso.
Verdade seja dita: anti-social até que eu sou mesmo, mas então vou andar com uma câmera na mão o dia todo. Assim, quem sabe eu me irrite menos [...]
Eu nunca fui de falar palavrões. Minha mãe nunca me ensinou a xingar. Na minha casa isso nunca foi realidade.
Admirável isso, alguém diria.
Hoje eu vejo o quanto eles são necessários na vida da gente. Por vezes algum projeto de ser humano me diz algo que não deveria ter dito, e eu simplesmente respiro fundo e penso: AFF. Um monte de gente chega em casa entra no meu quarto, tece críticas ao modo como estou vestido e logo quer fuçar nas minhas coisas. E como minha mãe me ensinou, eu respiro fundo. Aff.
Apenas fico imaginando como seria sufocar a pessoa com um saco plástico cheio de cacos de vidro e agulhas recolhidas do SUS, enquanto derramo deliciosamente uma panela de água quente nos olhos.
Devemos ter domínio próprio, mas nem sempre esse domínio é apropriado. Chega uma hora que vc não aguenta.
Eu não me importo mais com amigos. Já matei vários, e talvez ainda hoje, me disponha a fazê-lo novamente. Sim, antes que o gládio venenoso penetre minhas costas, prefiro usar de minha astúcia para meter-lhes uma serra a cabeça. Sim. Cansei de ouvir a mesma ladainha e ter que aturar as mesmas crises. Desgraça alheia é bom só na tv. É considerável também que se isso fosse deveras verdade, não estaria escrevendo um post sobre isso nesse blog o qual ainda não encontrei qualquer finalidade. Freud explica.
"Quer saber quantos amigos tem? faça uma festa. Quer saber a qualidade deles? fique doente."
Não, não estou com raiva de meus amigos, e essa frase não é de Freud, por favor.. Outro dia faço um post comemorativo pra ele, ou para eles.
Hoje eu tive uma grande surpresa ao chegar na aula de estágio: representantes do ministério da educação estariam lá.
Ah sim, agora ratos do governo também entram pelas portas da universidade. Como se já não bastasse as fezes que as vacas e urubus de campanhas políticas e pseudo-estudantis deixam pra gente pisar, ainda sou obrigado a ouvir durante 3 horas seguidas o discurso completamente Disney dos representantes responsáveis por tornar mais laboriante meu trabalho.
Desde que inventaram Branca de Neve, põem os sete anões loucos da vida, dando duro pra trabalhar, esperando a bosta do príncipe vir, e em um ato súbito de necrofilia, presentear a donzela com um beijo carregado de interesses, na esperança de que ela acorde e seja, até a página final do livro, feliz.
Ainda estou tentando entender em qual maldito dia eu acordei e decidi colocar o meu video cassete do Aladin no repeat, dublando as falas do Chapéuzinho Vermelho, enquanto ouço, mais uma vez, o lobo mal dando um créu no lenhador.
Eu não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de falar de suas desgraças à vida alheia. Não, não há problema nenhum nisso, mas toda vez que alguém senta no onibus ao meu lado, olha pra mim e me acha com cara de psicanalista (é, eu gosto de psicanalisar tudo, mas não sou vaso sanitário) tem alguma coisa pra contar. Esses dias foi a gota d'água.
- Eu ganhei um pacote de viajens hoje. É porque uso meus cartões, Visa, Gold, Ouro, e sempre chego no meu limite que é de 1,600. Meu marido que está no exterior (atenção à ênfase), ama isso. (afinal, se ela é tão rica assim, por que está no onibus, HEIN?)
Logo a resposta:
- É que eu sofri um acidente e deu perda total no carro. Mas meu marido que está no exterior (olha a ênfase de novo) me deu um zero. Acho que foi uns 200 mil. Mas como estou muito traumatizada, prefiro andar de onibus.
- Ah, rs. (não existe nada mais sarcástico do que um "rs" pra deixar alguém sem graça. Sim, essa risadinha "rs", uma leve suspensão da ironia no canto venenoso da sua boca, é uma risadinha assim.
Enquanto ela está com o filho mimado de 2 anos no colo, grita para o outro, que nunca vira um banco reservado para gordos antes:
- Filhoo!!! Seu pai vai A-M-A-R saber que ganhamos esse pacote. Hotel, piscina, muito bom! AHHH.. mas é bem capaz que eles vão descontar todo mês no meu cartão. Mas tudo bem, eu tenho outros! Afinal nada é de graça, NÉ?
É, e a essa altura, meu ouvido também não era de graça. Aliás, ele não é. Se voce quer desabafar com alguma pessoa desconhecida, sempre esteja conciente que alguma coisa voce vai ter que dar em troca. Eu, por exemplo, não exigo muito: se tiver saco para entender minha cara de bosta ou minhas risadas tipo vai a merda, o problema é seu, tudo bem. Mas acho que ela não entendeu.
É, hoje em dia qualquer um pode ser cantor. Desde aquela filhinha de papai que tem uma aparência bonita, mas não canta nada - afinal, tecnologia serve pra isso (tá, to falando da Pamela, pronto, confesso) até aquele irmãozinho lá da igreja dos seguidores de João, que ministra louvor com um playback da Cassiane cantando as oitavas de Dó, enquanto ela está nas quintas de Si (confuso, não?). Enfim, desde que o high school fez sucesso, todos os mini atores da disney agora gravam cds. E todas as crianças com cabelo liso são Troys, e todos aqueles que não conseguem fazer um falsete tem que sonhar bem alto e "tem que tentar", é o que diz a versão tosca dos high school brasileiros para a música Breaking Free, que por sinal é uma ótima canção. Mas de "libertar-se" para "ter que tentar", como é bela a tradução, convenhamos.
Bom, passeando pela net encontrei um grupo de cantores que não tem contrato com a Disney, talvez não sejam tão expressivos ou têm seus cabelos lisos suficentes como André Valadão, mas sim, são ótimos cantores.
Eu compraria um cd deles. Talvez até iria no show.
A lagarta listrada abriu mão de suas listras, se pintou toda e foi viver com a largatixa. A Mãe Natureza se zangou e inundou a Terra. A lagartixa correu, e a lagarta morreu afogada, na beira dos olhos da menina.
É. O lance da responsabilidade cada vez mais me azucrina. Não é que eu ache ruim ter responsabilidades. Eu só queria de vez em quando jogá-las em uma das minhas quase gavetas de roupa e fechar lá, no meio da bagunça. Crescer é uma coisa; ter responsabilidades é outra. Não se atrasar, não ter outro prazo pra entregar as notas do semestre (droga, até hj não consegui preencher aquele diário de classe - sim, morro de medo de razurar aquela porcaria e ter que passar tudo a limpo, de novo). Não deixar as contas se acumularem, ter que pagar contas (!), fingir que não tenho dinheiro pra não gastar o dinheiro de almoçar na segunda e por aí vai.. Quando eu era criança sonhava em ter 16 anos. Cheguei nos 16 e queria ter 18. Com 19 eu acreditava ser senhor das minhas responsabilidades, mas ora bolas, não estou livre delas. É por isso que vou colocar um piercing transversal, na orelha. Uma pessoa responsável merece uma aparencia responsável. Quer coisa mais sensata que isso?
Passeando por uma comunidade do orkut que falava sobre a vida sofrida de professor (é, sofrida sim, mas eu gosto =D) acabei me deparando com um texto bastante atormentador. Só que não constava a autoria. Então decidi colocá-lo aqui. Acho que ele fala por sí mesmo.
O Professor está sempre errado...
Quando é jovem, não tem experiência. É velho, está superado. Não tem automóvel, é um coitado. Tem automóvel, chora de "barriga cheia". Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta. Não falta ao colégio, é um "caxias". Precisa faltar, é um "turista". Conversa com outros professores, está malhando os alunos. Não conversa, é desligado. Dá muita matéria, não tem dó dos alunos. Não dá matéria, não prepara os alunos. Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato. Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não sabe se impor. A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as chances dos alunos. Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada. Fala corretamente, ninguém entende. Fala a língua dos alunos, não tem vocabulário. Exige, é rude. Elogia, é debochado. O aluno é reprovado, é perseguição. O aluno é aprovado, "deu mole".É, o professor está sempre errado, mas se vocêconseguiu ler até aqui, agradeça a ele.
Ontem me encontrei com velhos amigos. Não foi um encontro qualquer, marcamos às pressas do feriado, já fazia um ano que tentávamos. Ponto de encontro: pastelaria. Claro, se faltasse assunto, a desculpa de que sempre existe silêncio pra comer valeria. Quer dizer, nem sempre, porque tínhamos 3 crentes a mesa, e um desviado. Sim, crente fala de boca cheia. E crente não fecha a boca. Mas é engraçado, de repente vc se deparar com tantas conquistas, surpresas, revelações inesperadas (eu nunca imaginei que o Antonio fosse virar dono de bar), ou até mesmo com a amiga que vc torceu tanto pra encontrar o amor certo, se vire e diga ainda meio vermelha com olhar de lerda: eu me apaixonei. De repente vc perceber que aquele mundinho de ensino médio se desfez, que cada um seguiu seu caminho, que cada um está construindo sua vida, e como envelhecemos sem perceber. Que ninguém mais tem tempo pra nada e que ontem foi apenas uma exceção. Sim, porque logo cada um voltaria pra sua vida; isso é nostalgia. Por um instante viver uma mesma situação do passado e de forma dolorosa, simplesmente, retornar ao presente. E o presente às vezes é sufocante. Todos os dedos e olhares empurram o presente. Mas não importa, às vezes é bom um pouco de nostalgia. E no caso de ontem, uma nostalgia saudável. Encontrar amigos é sempre bom. Comer, melhor ainda.
A maior frustração da vida não está no tempo perdido, nos amores desperdiçados, na falta de oportunidades. A maior frustração da vida está em olhar para o espelho e não encontrar nada; apenas um eu ali reproduzido cheio de falhas, sem estrutura física, degradado psicologicamente.
A maior frustração da vida não se encontra nas roupas apertadas, no gozo precoce, na mente sã ou no relógio dourado. A maior frustração está na decepção consigo mesmo, no desejo de aumentar as coisas, ou então, diminuir outras. O desejo de ter algo e a dificuldade de consegui-lo, a placa de proibido ou a de ?você deveria ser mais?. O olhar indisfarçado muitas vezes é o bastante pra você se frustrar. E então, vêm as lágrimas, o sorriso cansado e o coração farto de tanta poeira. A falta de amigos, o celular estragado, o tédio interminável e a lista de coisas a se fazer. Os pais decepcionados, professores melindres, os avós com puro nardo e a fuga da desilusão.
A maior frustração da vida não está em acabar com as fantasias, mas descobrir que nunca poderá vivê-las. Não se engane: fantasiar é ser humano. E ser humano é errar. Errar o número de vezes que deveria ter dito eu te amo ou o número de calças a serem lavadas. Errar os programas da televisão ou as fotos que não deveriam ser vistas na internet.
E se errar e ser humano, se frustrar é maior, é mais ainda: é perceber sua condição de humano, e aceitar isso. Por isso se frustre. Esse é meu conselho. Se frustre com a vizinha, com o sexo barato, com o leite de marca mais cara. Só não se frustre com a vida, e acabe assim como eu, que de tanto me frustrar já nem sei mais como fazê-lo.